Fundamentos Teóricos e Normativos das Provas Digitais
DOI:
https://doi.org/10.63865/temasp.v42n42a2Palavras-chave:
investigação digital, investigação intrusiva, acesso a dispositivos digitais, controle judicial, cadeia de custódiaResumo
O artigo esboça os fundamentos do tratamento jurídico das precauções orientadas a manter a integridade, a autenticidade e a auditabilidade das provas digitais obtidas mediante acesso direto ou remoto a sistemas informáticos. Os fundamentos teóricos e normativos das provas digitais, isto é, seus pressupostos, não são determinados apenas pelo poder de ingerência na vida privada e de tratamento automatizado dos dados. O fenômeno probatório atual é muito diferente do cenário que predominou durante séculos até há pouco mais de dez anos. Hoje em dia, os profissionais do Direito enfrentam provas geradas de maneira automática por sistemas de inteligência artificial, que não têm relação com uma determinada realidade empírica. A opacidade dos sistemas informáticos que processam a informação digital e constituem as provas digitais é antagônica à publicidade processual. As provas digitais não estão sujeitas ao mesmo estatuto epistemológico que as provas tradicionais; requerem um tratamento jurídico-processual compatível com sua condição de objeto digital, e o potencial enganoso de sua forma final — seu resultado — é insuficiente para assegurar sua admissibilidade no processo, dada a volatilidade e a possibilidade de manipulação dos dados, imperceptível se não for tecnicamente verificada sua autenticidade, integridade e integralidade. A perícia oficial é uma etapa relevante na formação da prova digital. A manipulabilidade dessa prova não permite que, no âmbito jurídico, seja formada por sujeitos que tenham interesses ou que atuem de acordo com hipóteses fáticas preestabelecidas.
Referências
Barros, F. de M., Marinho, L. A., & Sarkis, J. M. (2025). A etapa do descarte na cadeia de custódia dos vestígios digitais. En C. Badaró Massena, & A. P. Melchior (orgs.), Estudos Jurídicos em homenagem ao professor Geraldo Prado por seu 65º aniversário (pp. 223-250). Marcial Pons.
Brighi, R., & Ferrazzano, M. (2021). Digital forensics: best practices and perspective. En M. Caianiello, & A. Camon (eds.), Digital forensic evidence: towards common European standards in antifraud administrative and criminal investigations (p. 12-48). CEDAM.
Bueno de Mata, F. (2019). Las Diligencias de Investigación Penal en la Cuarta Revolución Industrial: principios teóricos y problemas prácticos. Aranzadi.
Bundesverfassungsgericht. (2024, 1 de octubre). Headnotes to the Judgment of the First Senate of 1 October 2024 1 BvR 1160/19. https://www.bundesverfassungsgericht.de/ SharedDocs/Entscheidungen/EN/2024/10/rs20241001_1bvr116019en.html
Camargo, P. L. de A. (2025). Inteligência artificial na investigação criminal: parâmetros de transparência e explicabilidade. Thomson Reuters.
Comoglio, P. (2018). Nuove tecnologie e disponibilità della prova. L’accertamento del fatto nella diffusione delle conoscenze. Giappichelli.
Delgado Martín, J. (2020). Judicial-Tech, el proceso digital y la transformación tecnológica de la justicia: Obtención, tratamiento y protección de datos en la justicia. Wolters Kluwer.
Di Iorio, A. (2018). Protocolos de preservación de evidencia digital y cuestiones forenses. En D. Dupuy (dir.), M. Kiefer (coord.), Cibercrimen II. (pp. 341-343). Editorial B de F.
De Menezes, P. B. (2014). Novos rumos da prova pericial. 7Letras.
European Law Institute. (2023). ELI Proposal for a Directive of the European Parliament and the Council on Mutual Admissibility of Evidence and Electronic Evidence in Criminal Proceedings: Draft Legislative Proposal of the European Law Institute. European Union – Universitat Wien. https://www.europeanlawinstitute.eu/fileadmin/user_upload/p_eli/Publications/ELI_Proposal_for_a_Directive_on_Mutual_Admissibility_of_Evidence_and_Electronic_ Evidence_in_Criminal_Proceedings_in_the_EU.pdf
Figueiredo, A. L. (2024, 2 de diciembre). Supercomputador Frontier recria o universo em simulação inédita. Olhar Digital. https://olhardigital.com.br/2024/12/02/ciencia-e-espaco/ supercomputador-frontier-recria-o-universo-em-simulacao-inedita/
ICHI.PRO. (s.f.). Richard Feynman sobre Inteligência Artificial Geral. ICHI.PRO. https://ichi.pro/ pt/richard-feynman-sobre-inteligencia-artificial-geral-48497118850609#google_vignette
Kaufman, D. (2022). Desmistificando a inteligência artificial. Autêntica.
Kerr, O. (2025). The Digital Fourth Amendment: Privacy and Policing in Our Online World. Oxford University Press.
Losano, M. (2002). Per un diritto compatibile con l’elaborazione elettronica. En P. Garbarino, & M. Cavino (eds.), Scritti di informatica e diritto: per una storia dell’informatica giuridica. Vol. 2 (pp.393-414). Mimesis Edizione.
Meireles, A. I. D. (2025). A Prova Digital no Processo Judicial: a blockchain e outros caminhos para os tribunais. Almedina.
People of the United States. (1791). Constitution of the United States: Fourth Amendment. Senate of the United States. https://www.senate.gov/about/origins-foundations/senate-and-constitution/constitution.htm#amdt_4_1791
Prado, G. (2022). La cadena de custodia de la prueba en el proceso penal (2ª. ed.). Marcial Pons.
Presidência da República. (1941, 3 de octubre). Decreto-Lei Nº 3.689 de 1941 [Código de Processo Penal]. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm#art810
Quattrocolo, S. (2023). L’ammissione della prova alla luce della rivoluzione digitale. En E. M. Catalano, & P. Ferrua, Paolo (eds.), Corderiana. Sulle orme di un maestro del rito penale (p. 163-176). Giappichelli
Ramalho, D. da S. (2017). Métodos Ocultos de Investigação Criminal em Ambiente Digital. Almedina.
Sousa, S. S. (2025). A cadeia de custódia como garantia de fiabilidade dos elementos de interesse em formato digital. En C. Badaró Massena, & A. P. Melchior (orgs.). Estudos Jurídicos em homenagem ao professor Geraldo Prado por seu 65º aniversário (pp. 621-642). Marcial Pons.
Superior Tribunal de Justiça. (2023, 14 de febrero). Informativo n.º 763 del Tribunal Superior de Justicia, de 14 de febrero de 2023. Agravo Regimental en el Habeas Corpus n.º 143.169/ RJ. Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça [M. P.: Messod Azulay Neto, M. A] [Ponente de la sentencia: Dantas, R.].
Taruffo, M. (2014). A prova (J. G. Couto, trad.). Marcial Pons.
Yuk, H. (2023). Sobre la existencia de los objetos digitales (A. Cordero y D. Wiehls, trads.). Materia Oscura.
Zaragoza Tejada, J. I. (2024). La prueba ilícita y prueba tecnológica. Reflexiones a raíz del caso Encrochat. En J. C. Ortiz Pradillo, & A. Abellán Albertos (dir.), El derecho de defensa en la justicia penal digital (pp. 241-348). Tirant lo Blanch.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
